Porque a vida é assim…

 

Olá pessoal!!! Sei que o leitura com pipoca anda meio sumido, e me senti na obrigação de vir aqui dar uma satisfação à todas as pessoas que carinhosamente já curtiram ou seguem esse blog, à todos os e-mails que recebo diariamente informando sobre mais um novo seguidor, ainda são poucos, mas preciosos e sei que com dedicação chegaremos bem mais longe. Enfim,vamos ao que interessa, em janeiro deste ano, numa consulta de rotina com minha ginecologista, descobri um câncer de mama, superado o choque, a ansiedade e o impacto da confirmação do diagnóstico, que desde o primeiro exame em janeiro, fui obter a confirmação em março, agora segue tudo mais tranqüilo.Quer dizer, desde então minha vida tem sido exames e mais exames, consultas, cirurgia e a famosa quimioterapia, por isso a distância do blog. Tudo surreal para quem há anos, não tinha sequer um resfriado. Mas, a vida é assim nos prega peças e muitas vezes nos momentos em que mais fazemos planos, porém como dizem, às vezes é preciso que a vida nos sacuda com muita força para nos darmos conta que o tempo que nos resta, não é para ser mal gasto e bem me disse uma médica que o pior desta doença por tudo que a gente “ouve falar” é receber o diagnóstico dela. Há muita desinformação sobre muitas coisas, por isso resolvi escrever este post também, porque se ele servir para ajudar uma pessoa que seja, já terei atingido meu objetivo. É claro que como disse no começo sofri com o impacto da notícia, chorei muito, ainda sou nova, tenho muita coisa para viver, e saber que você é portadora de uma doença que pode te matar é chocante. Mas sem falso moralismo, tenho aprendido muita coisa, inclusive que ao contrário do que muitas pessoas pensam, o portador de neoplasia maligna (é assim que chamam…), não é nenhum coitado, digno de pena e com prazo de validade, não,é apenas um problema de saúde sério que como tantos outros exige nossa dedicação e força de vontade para ser sanado e acredito que ainda um dia descobrirão que o câncer é um problema muito mais emocional do que qualquer outra coisa.

O tratamento não é fácil, ainda no nosso caso, das mulheres tem todo o lance da estética e da auto estima, a queda dos cabelos e etc… Muitas pessoas te dizem que cabelo é o de menos que depois cresce, realmente cresce mesmo, mas o cabelo para uma mulher nunca é o de menos, se olhar no espelho de cabelo curto e careca tem uma grande diferença, não é legal, não é bom ter que se preocupar em cobrir a cabeça toda vez que vai sair e muitas vezes até preferir ficar em casa. Admiro que tem coragem de assumir a careca e segue em frente… Eu não tive essa coragem… Mas para tudo há uma saída, e com um pouco de informação cheguei a um projeto lindo chamado “amor em mechas” da querida Débora Vivaldi, eles fazem doação de perucas de cabelos humanos para pacientes em quimioterapia e se você ainda tiver cabelos compridos, eles cortam seu cabelo e te fazem uma peruca com seu próprio cabelo. Tudo isso sem custo algum, com o único objetivo de doar amor ao próximo. Fantástico, não é mesmo!? Foi a melhor coisa que eu fiz, ficou perfeito! No entanto, voltando à doença, ela te dá duas alternativas, uma é ficar deprimida e deixar a doença e o tratamento vencer você e a outra é escolher viver, enfrentar essa situação que não é fácil, mas ter a certeza de que passa, tudo passa, e se você encarar como um problema que pode acontecer com qualquer, qualquer pessoa, as coisas se tornam mais leves. Eu, escolhi viver e graças a Deus sou uma pessoa tão abençoada, que só posso agradecer, pois desde que soube da doença,a minha fé nunca me permitiu que me faltasse nada, as coisas mais improváveis sempre me aconteceram das melhores maneiras. Estou cercada das melhores pessoas e cheia de amor. Hoje, faz duas semanas e 4 dias que fiz a primeira sessão de quimioterapia e tirando 2 dias de enjoo mais severo, neste momento parece que não fiz nada, sinto-me absolutamente normal e tenho fé que as demais serão da mesma forma.

Não sei se voltarei a falar aqui a respeito disso, pode ser que sim, pode ser que não, mas eu gostaria que muitas pessoas, especialmente mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama, soubessem que a nossa vida não acaba nesse momento e dependendo da forma que você escolher encarar, pode até significar um renascimento, você pode se tornar um ser humano melhor e a vida ficar muito mais interessante. Quero ajudar, assim como fui ajudada, por isso, compartilhe este post, reblog, ou se você conhecer alguém que passa por isso, mostre este post à ela (e), fale do site amor em mechas… Vou deixar aqui em baixo o endereço do site.

Gratidão sempre e vida que segue.

 

www.amoremmechas.com

 

papa

 

Por um fio / Dráuzio Varella

Que Dráuzio Varella é um grande médico, todos sabemos, pois bem, para quem não sabe ele é também um bom escritor. Desculpem o trocadilho, não há apenas convicção, temos provas também, taí Carandiru livro e filme que não me deixa mentir, Mas isso é assunto para um outro post.

Por um fio é um livro, que diferentemente do que li algumas vezes, não é um livro interessante somente para estudantes de medicina, pois entendo que o assunto primordial deste livro é a vida e como lidamos com ela. Claro que Dráuzio como bom médico oncologista que é, também fala da relação médico paciente (interessante para os pretendentes a área) mas não só isso, ele também fala de sua carreira, conta sua história, de como escolheu a medicina como profissão e passa muitas informações sobra a aids e o câncer. Tudo isso de uma forma interessante, que não causa tédio como em muitos livros que geralmente abordam esses temas.

O livro é formado por pequenos contos, onde o autor relata algumas experiências marcantes com pacientes, desde momento em que dá a notícia da doença, a reação do paciente, da família que muitas vezes consola e acolhe e outras simplesmente abandona, e a incrível forma na maioria dos casos, de como a pessoa passa a dar um novo sentido à sua vida, é como se a notícia de uma possível morte breve, se transformasse em um renascimento. Sim, nos deparamos com momentos muito tristes, mas não chega ser um livro depressivo, também temos momentos cômicos e muitos outros que nos fazem parar a leitura para pensar. Pensar na nossa vida, nas nossas atitudes, nas coisas que são importantes para nós, as que damos valor e principalmente a maneira como lidamos com as adversidades da vida. Dráuzio tem linguagem simples com poucos termos médicos e acho que é uma leitura válida para todas as áreas.

Uma coisa que me agrada muito nos livros do Dráuzio Varella, é que gosto de pensar nesse lado sensível do médico, que trata o paciente que muitas vezes já está numa situação difícil, com humanidade, com respeito, visando o objetivo principal da profissão e não apenas o lucro em si. Coisa que honestamente na atual realidade já deixei de acreditar.

Editora Companhia das letras