Porque a vida é assim…

 

Olá pessoal!!! Sei que o leitura com pipoca anda meio sumido, e me senti na obrigação de vir aqui dar uma satisfação à todas as pessoas que carinhosamente já curtiram ou seguem esse blog, à todos os e-mails que recebo diariamente informando sobre mais um novo seguidor, ainda são poucos, mas preciosos e sei que com dedicação chegaremos bem mais longe. Enfim,vamos ao que interessa, em janeiro deste ano, numa consulta de rotina com minha ginecologista, descobri um câncer de mama, superado o choque, a ansiedade e o impacto da confirmação do diagnóstico, que desde o primeiro exame em janeiro, fui obter a confirmação em março, agora segue tudo mais tranqüilo.Quer dizer, desde então minha vida tem sido exames e mais exames, consultas, cirurgia e a famosa quimioterapia, por isso a distância do blog. Tudo surreal para quem há anos, não tinha sequer um resfriado. Mas, a vida é assim nos prega peças e muitas vezes nos momentos em que mais fazemos planos, porém como dizem, às vezes é preciso que a vida nos sacuda com muita força para nos darmos conta que o tempo que nos resta, não é para ser mal gasto e bem me disse uma médica que o pior desta doença por tudo que a gente “ouve falar” é receber o diagnóstico dela. Há muita desinformação sobre muitas coisas, por isso resolvi escrever este post também, porque se ele servir para ajudar uma pessoa que seja, já terei atingido meu objetivo. É claro que como disse no começo sofri com o impacto da notícia, chorei muito, ainda sou nova, tenho muita coisa para viver, e saber que você é portadora de uma doença que pode te matar é chocante. Mas sem falso moralismo, tenho aprendido muita coisa, inclusive que ao contrário do que muitas pessoas pensam, o portador de neoplasia maligna (é assim que chamam…), não é nenhum coitado, digno de pena e com prazo de validade, não,é apenas um problema de saúde sério que como tantos outros exige nossa dedicação e força de vontade para ser sanado e acredito que ainda um dia descobrirão que o câncer é um problema muito mais emocional do que qualquer outra coisa.

O tratamento não é fácil, ainda no nosso caso, das mulheres tem todo o lance da estética e da auto estima, a queda dos cabelos e etc… Muitas pessoas te dizem que cabelo é o de menos que depois cresce, realmente cresce mesmo, mas o cabelo para uma mulher nunca é o de menos, se olhar no espelho de cabelo curto e careca tem uma grande diferença, não é legal, não é bom ter que se preocupar em cobrir a cabeça toda vez que vai sair e muitas vezes até preferir ficar em casa. Admiro que tem coragem de assumir a careca e segue em frente… Eu não tive essa coragem… Mas para tudo há uma saída, e com um pouco de informação cheguei a um projeto lindo chamado “amor em mechas” da querida Débora Vivaldi, eles fazem doação de perucas de cabelos humanos para pacientes em quimioterapia e se você ainda tiver cabelos compridos, eles cortam seu cabelo e te fazem uma peruca com seu próprio cabelo. Tudo isso sem custo algum, com o único objetivo de doar amor ao próximo. Fantástico, não é mesmo!? Foi a melhor coisa que eu fiz, ficou perfeito! No entanto, voltando à doença, ela te dá duas alternativas, uma é ficar deprimida e deixar a doença e o tratamento vencer você e a outra é escolher viver, enfrentar essa situação que não é fácil, mas ter a certeza de que passa, tudo passa, e se você encarar como um problema que pode acontecer com qualquer, qualquer pessoa, as coisas se tornam mais leves. Eu, escolhi viver e graças a Deus sou uma pessoa tão abençoada, que só posso agradecer, pois desde que soube da doença,a minha fé nunca me permitiu que me faltasse nada, as coisas mais improváveis sempre me aconteceram das melhores maneiras. Estou cercada das melhores pessoas e cheia de amor. Hoje, faz duas semanas e 4 dias que fiz a primeira sessão de quimioterapia e tirando 2 dias de enjoo mais severo, neste momento parece que não fiz nada, sinto-me absolutamente normal e tenho fé que as demais serão da mesma forma.

Não sei se voltarei a falar aqui a respeito disso, pode ser que sim, pode ser que não, mas eu gostaria que muitas pessoas, especialmente mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama, soubessem que a nossa vida não acaba nesse momento e dependendo da forma que você escolher encarar, pode até significar um renascimento, você pode se tornar um ser humano melhor e a vida ficar muito mais interessante. Quero ajudar, assim como fui ajudada, por isso, compartilhe este post, reblog, ou se você conhecer alguém que passa por isso, mostre este post à ela (e), fale do site amor em mechas… Vou deixar aqui em baixo o endereço do site.

Gratidão sempre e vida que segue.

 

www.amoremmechas.com

 

papa

 

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A viagem

O filme é bem antiguinho, mas como acredito que bons filmes e livros não tem idade, aqui está um que vale muito a pena. A viagem traz a história de duas grandes amigas, Alice Marano (Claire Danes) e Darlene Davis (Kate Beckinsale), Alice sempre foi a mais maluquinha enquanto Darlene já era mais recatada, gosto muito dessas duas atrizes e acho que funcionaram tão bem juntas que tenho dificuldade de imaginar outras atrizes nesses papéis, mas voltando ao filme, ambas moram em Ohio e decidem fazer uma viagem ao Havaí, mas por acharem o lugar muito romântico, trocaram pela Tailândia, pois pretendiam comemorar a conclusão do colegial e porque em breve se separariam pela primeira vez por conta da faculdade. Essa seria a viagem dos sonhos, jovens, bonitas, felizes, cheias de planos, tudo o que queriam era se divertir e ter momentos para se lembrarem para sempre. Chegando em Bangkok, ficam em um hotel bem simples, cheio de baratas e como o calor é muito intenso, tentam se passar por hóspedes de um hotel de luxo para poderem usar a piscina, no entanto quando iam ser pegas em flagrante por um funcionário, eis que surge Nick Parks (Daniel Lapaine), que as tira da enrascada e se torna amigo delas, agora tinham mais um companheiro de viagem. Alice acaba se interessando por ele, porém ele se envolve com Darlene. Um belo dia, Nick convida as duas para passarem um final de semana em Hong Kong e diz que não precisariam se preocupar com despesas adicionais, pois ele trocou sua passagem de primeira classe por três na classe econômica. Quando estão prestes a embarcar, elas são presas no aeroporto e na mala de Alice tem cocaína. Sem entender nada, elas são detidas como traficantes. Sem conhecer nada nem ninguém naquele lugar, conseguem um advogado oriental que não confia nelas e elas acabam pegando trinta e três anos de cadeia. Um passeio que era apenas para ser uma comemoração por uma nova fase da vida que se iniciava, se tornou o pior pesadelo de suas vidas. A partir daí muitas coisas irão acontecer e muitas dúvidas também são lançadas aos telespectadores. Um bom enredo do início ao fim, com passagens divertidas, chocantes, emocionantes e um “grand finale”. Muitos dirão que esse já é um enredo batido e conhecido do telespectador, à mim me cativou completamente, cabe à você decidir!

Infelizmente não consegui nenhum trailer dublado ou legendado!

Isto é água

David Foster Wallace foi um reconhecido e premiado escritor americano, responsável por sucessos como “A vassoura do sistema, O rei pálido, Graça infinita”entre outros. Ele sofria de depressão e se suicidou aos 46 anos em 2008. Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum de seus livros ( o que farei em beve), mas há pouco tempo fiquei sabendo pelo jornalista e escritor Xico Sá da existência de um discurso feito por David na cerimônia de formatura de um curso de artes nos Estados Unidos, anos antes de sua morte. E o que ele diz nesse discurso é simplesmente fantástico, não serve apenas para um jovem formando mas para qualquer pessoa que possua a aspiração de uma vida mais saudável mentalmente falando. O texto é um pouco longo, mas é ótimo e tenho certeza que em algum parágrafo ele vai se encaixar perfeitamente na sua vida. Sei que muitas pessoas nem vão dar atenção para isso e talvez o mundo não se torne melhor ou mais justo por conta desse discurso, mas se você ler e conseguir compreender a essência do que o David Foster Wallace diz, eu acredito muito que o seu mundo já ficará bem melhor. Por isso, senti que eu tinha que levar esse discurso ao maior número de pessoas possível, então decidi publicar aqui nesse pequeno espaço, mas se eu conseguir fazer uma pessoa que seja ler, já vou ficar feliz. Esse texto já foi publicado também pela revista Piauí (é o que lerão aqui) e me parece que agora Daniel Galera está traduzindo uma versão para a Companhia das letras.Vocês também podem ver mais sobre o assunto no ótimo “discreto blog da burguesia”.

Abaixo o texto e no final o link do discurso no youtube com a voz dele mesmo, só imagens reais do discurso é que não encontrei em nenhum vídeo.

Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

– Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

– Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa forma, a frase soa como uma platitude – mas é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.

Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.

Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.

Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.

Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.

 

Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.

Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.

De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.

É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.

Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.

Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.

Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.

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Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.

Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.

Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.

Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

 

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”

É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro.

David Foster Wallace

David Foster Wallace (1962–2008), romancista e ensaísta americano. Autor do livro Graça Infinita, lançado pela Companhia das Letras.

Tempo de despertar

Este filme me marcou, não só por ser um assunto de grande interesse para mim, mas pela sensibilidade e humanidade com que é tratado o tema, fazendo com o que, a princípio poderia ser uma assunto depressivo e enfadonho em algo espetacular. O filme é baseado na vida do grande médico e escritor Oliver Sacks e em seu livro “Awakenings”, indicado ao oscar de melhor roteiro adaptado e melhor ator para Robert de Niro. Taí outro forte motivo desse filme me sensibilizar, temos aqui impressionantes atuações de Robin Williams como (Dr. Malcolm Sayer) e para mim o melhor de todos, Robert de Niro como (Leonard). O Dr. Malcolm Sayer (Robin Williams) aceita trabalhar como médico neurologista no Hospital Berth Obraham no Bronx em Nova Iorque, mesmo sem experiência ele acaba se envolvendo com um grupo de pacientes que são catatônicos e possuem uma doença chamada encefalite letárgica, o que aparentemente os deixa como se estivessem “adormecidos”. O Dr. Sayer estuda a doença e percebe que seus danos são semelhantes aos do Parkinson e que também não tinha cura, mas havia chance de tratamento e empolgado em dar a vida de volta à esses pacientes, é que ele luta contra tudo e todos. Muitas dúvidas são postas em discussão, como por exemplo o fato de muitos pacientes estarem nesse estado desde a infância e será que eles estariam preparados para o mundo lá fora? E suas famílias estariam preparadas para recebê-los? Os outros médicos não acreditavam que ele pudesse reverter essa situação. Mas sob forte insistência Sayer consegue convencer e experimentar seu tratamento em Leonard(Robert de Niro) e o que acontece com ele é simplesmente maravilhoso. Leonard desperta de seu estado paralisado e em transe para o mundo, cheio de esperança com uma vontade ímpar de viver e cenas como o encontro dele com a mãe, depois de despertar são das mais tocantes. Também temos momentos interessantes e engraçados com outros pacientes como a Dna. Lucy. Mas a felicidade do Dr. Sayer começa a frustrá-lo quando ele nota que os efeitos do tratamento são temporários e que os efeitos colaterais podem ser severos. No entanto é inegável o bem que aquele médico proporcionou mesmo que por pouco tempo à vida daquelas pessoas, que pela primeira vez são vistas pela sociedade com dignidade. A história faz a nós e ao próprio Dr. Sayer enxergar mais uma vez o valor das coisas simples e como algumas situações corriqueiras para nós, como o simples fato de se levantar e sair andando, para outros pode significar tanto. É impossível não se emocionar com “tempo de despertar” e em especial com Leonard(Robert de Niro), e o que Oliver Sacks fez  foi simplesmente devolver a vida à essas pessoas, despertando nelas, sensações e desejos nunca antes experimentados e uma incontrolável vontade de continuar.

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Antologia Poética / Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes, o poetinha como ficou conhecido, nasceu em 19 de outubro de 1913 no Rio de Janeiro e viveu até 9 de julho de 1980 (muito pouco). Vindo de uma família de artistas, entre suas várias funções, Vinicius foi um boêmio por natureza, grande poeta e compositor brasileiro, tendo passado pela literatura, música , teatro e cinema. Na música, ele teve vários parceiros como Baden Powell, Adoniran Barbosa, Tom Jobim, Toquinho, Chico Buarque entre outros, e fez lindas canções como por exemplo “minha namorada”, “samba da benção” e tantas mais. Acho que existe muito da poesia nas músicas de Vinicius e embora insistissem em dividir seu trabalho, ele nunca concordou com isso, dizendo que para ele era tudo igual, música, poesia e etc… Sua poesia é dividida em várias fases que caracterizam sua obra. É claro que para entender Vinicius ao pé da letra é necessário tempo e dedicação, sobretudo hoje no nosso mundo digital, é difícil as pessoas pararem para ler um poema, no entanto eu diria que a poesia tem muito à acrescentar na nossa vida e se você nunca leu Vinicius de Moraes, não sabe o que está perdendo.

Antes de mais nada, encontrei essa definição de antologia na internet e achei linda, “antologia significa etmologicamente falando coletânea de flores, o termo remete a ideia de escolha, coleção.” E para mim esse livro de Vinicius é exatamente isso, uma “coletânea de flores.” Ele divide a antologia em três partes, a primeira é mística e religiosa, a segunda é uma fase de transição e a terceira de tendência esquerdista, onde tem temas como a valorização do trabalho, preconceito de classes e etc… Esta é a que ele vê como definitiva. Não consigo escolher uma como a minha preferida, pois todas são lindas e em todas ele tem muito a nos dizer. A intenção aqui não é fazer uma crítica literária a obra dele, pois acho que acima disso, Vinicius tem que ser sentido, apreciado como um bom vinho.

vinicius-boemio

Existe entre mim e ele, uma mágica que não sei bem explicar, por diversas vezes, peguei algum poema desconhecido nas mãos, que ao ler, me fez explodir de satisfação e encantada com tamanha beleza, quando ia ler o nome do autor, lá estava ele Vinicius de Moraes. Hoje, antes mesmo de ler o nome do autor, já sei que quando um poema faz isso comigo, quem assina embaixo é ele.

Para mim Vinicius é um dos maiores poetas de todos os tempos e sua obra vai se perpetuar como tem acontecido até agora. Abaixo encontramos alguns trechos de poemas desse livro, que eu acho que transcendem bem a beleza de seu trabalho.

“De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. ”

 Soneto de separação

“Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

 Soneto de fidelidade

“Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante. ”

 Soneto de amor total

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

A rosa de Hiroxima

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia…
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

O operário em construção

Livro Editora José Olympio

 

As irmãs Harker/ Mina Ford

Mina Ford é uma escritora não muito conhecida, me parece que é inglesa, já tentei pesquisar na Internet sobre ela, mas para minha surpresa, nada encontrei.

Aqui no Brasil, só encontrei 2 livros traduzidos, “O casamento de mentirinha de Katie Simpson” e “As irmãs Harker”. O que sei dela, são as informações que constam no livro, estudou letras e passou um ano na França, antes de trabalhar para uma empresa de mídia em Londres. Depois foi para a relativa tranqüilidade de Bath na Inglaterra, onde escreveu seu primeiro romance.

Este livro, “As irmãs Harker”, me surpreendeu, já li faz bastante tempo, então peço desculpas se algum fato não tiver descrito exatamente como no livro. Não sei porque alguns livros pouco interessantes fazem tanto sucesso, enquanto outros tão bons não fazem, é o caso desse livro, ele tem 414 páginas que a gente não vê passar.

Hermione e Harriet são irmãs gêmeas idênticas, mas opostas na personalidade, Hermione sempre foi a mais popular,a mais sensual, a mais charmosa, enquanto Harriet era mais tímida, mais na dela, apesar disso sempre foram muito unidas. No entanto, uma noite seus pais saem para jantar fora e elas resolvem fazer uma festinha de aniversário em casa. No decorrer da festa, Harriet sai procurando seu namorado Will pela festa, para apresentá-lo a sua irmã que tinha chegado de viagem, quando o encontra, eis a surpresa, ele e Hermione estavam se beijando.Os dois já se conheciam. As irmãs brigam, Harriet fica muito brava com Hermione e o namorado e como se não bastasse ainda chega a polícia para avisar-lhes que seus pais sofreram um acidente de carro fatal. No momento em que elas mais precisam uma da outra, elas estão brigadas, Harriet fica na cidade inglesa de Bath e Hermione vai para o Canadá, as duas ficam 15 anos sem se falar e sem saber uma da outra, nem um telefonema.

Nesse tempo Mina Ford dedica um capítulo a nos contar sobre Harriet e outro sobre Hermione e assim sucessivamente.

Harriet acabou de se separar e já está de olho em Jesse, seu vizinho bonitão e cheio de charme, Hermione acaba de saber que está grávida, porém o pai de seu filho é casado! Assim segue a vida das duas, cheias de conflitos e desencontros até que alguns acontecimentos e alguns amigos resolvem reaproximá-las… Quer saber o que acontece daqui para frente? Leia “as irmãs Harker”. Um livro que fala sobre família, amizade e amor, com personagens envolventes e engraçados, você vai ver essas 414 páginas voarem na sua frente!

Editora Record

Livre

Primeiramente, resolvi assistir esse filme, apesar de algumas críticas que li por aí, porque adoro filmes que falam de viagens, trilhas e etc… A atriz (Reese Witherspoon) é uma de minhas preferidas, além de ser também produtora do filme, o roteiro foi adaptado por Nick Hornby e é autobiográfico, Cheryl Strayed “a jornada de uma mulher em busca do recomeço”. Logo no começo, podemos admirar a bela fotografia, “livre” evidencia bastante a natureza.
Cheryl Strayed nunca teve uma vida fácil, seu pai era alcoólatra, batia em sua mãe(Bobbi), viviam sempre com dificuldades financeiras e ela se virava trabalhando de garçonete e estudando. Apesar disso, sua mãe transbordava amor, fazia tudo que podia para proteger Cheryl e seu irmão, e estava sempre feliz e cantando. Mas embora ela amasse sua mãe, não compreendia e de certa forma desaprovava o seu bom humor, não se conformava com a vida medíocre que levavam e a mãe ainda se punha a sorrir e cantar…
Um belo dia, Cheryl descobre que sua mãe está com câncer e em pouco tempo, Bobbi morre, e é a partir daí que ela se perde, sem saber lidar com a dor que sente, ela começa se drogar, trai seu marido Paul com vários homens e chega ao fundo do poço. Ao mesmo tempo que sente vergonha de suas atitudes e sabe que Bobbi não as aprovaria, Cheryl não consegue parar. Somente quando seu marido pede o divórcio, é que ela cansada de si mesma, resolve dar um basta e sai rumo a trilha da PCT (Pacific Crest Trail), mais de 1770 Km pela costa oeste dos Estados Unidos, sozinha, apenas com um mochilão nas costas, ela parte em uma viagem em busca de si mesma. Ao longo do caminho, vamos acompanhando todas as dificuldades da viagem, seus medos e suas descobertas. Corajosa e determinada Sheryl nunca tinha se quer feito uma trilha, mas segue em frente e passa a ficar conhecida entre os demais trilheiros que encontra no caminho por ser a única mulher fazendo a trilha. Passado quase 4 meses, sozinha, sem nenhuma companhia, Sheryl vai assimilando melhor tudo que aconteceu na sua vida, se redescobrindo como pessoa e percebendo o tipo de vida que quer levar dali para frente, e mais que isso, as vezes precisamos passar por um momento tão difícl e complicado para só assim, compreender a dimensão do amor que sentimos por alguém e o espaço que ele ocupa na nossa vida. O mesmo amor que a empurra para baixo, é o que a salva.
Um filme cheio de beleza, aventuras, revelações e de fácil identificação, afinal quem nunca em algum momento da vida, sentiu vontade de largar tudo e cair no mundo!? E foi com essa sensação que terminei o filme, vontade de viajar pelo mundo ou no mínimo fazer uma trilha bem legal.

“Mas a gente nunca está preparado para aquilo que espera”!