A menina da Montanha

Este livro conta a história autobiográfica da Tara Westover. Ela discorre os acontecimentos desde que tinha 7 anos até os dias atuais com seus trinta e poucos anos, tudo se passa no final dos anos 80, década de 90 pra cá.

Tara e seus 7 irmãos, vivem numa família nada convencional em Idaho Estados Unidos, adeptos do mormonismo, seu pai Gene Westover é um fanático religioso com traços de bipolaridade, que acredita que o mundo vai acabar no ano 2000 e por isso faz a mulher e os filhos estocarem  comida e gasolina em um abrigo que ele fez em casa, onde acredita que estarão salvos e abastecidos. Tara e os irmãos não vão à escola, pois o pai acredita que o governo faz lavagem cerebral nas crianças e também nunca foram ao hospital porque ele não acredita nos médicos e todo ferimento não importa a gravidade é tratado em casa pela mãe que é uma espécie de curandeira e parteira. As crianças não tem certidão de nascimento e os pais nem sabem ao certo a idade delas. A mãe também é responsável pela educação dos filhos em casa, mas eles não dão muita importância a isso, já que as crianças tem que ajudar o pai no ferro velho. Não me lembro de ter lido outro livro onde eu sentisse tanta raiva de um personagem como do pai de Tara, levando em consideração que aqui o personagem é real e toda essa bizarrice aconteceu de fato e o mais surreal é que não faz tanto tempo assim… Ao mesmo tempo que ele expõe a família o tempo todo à perigos absurdos e nunca aprende com o erro, além de não aceitar ser contestado ele também os surpreende com momentos de alegria e afeto. A mãe nem sempre concorda, mas é totalmente submissa ao marido. Essa menina Tara, que é apenas uma criança, vive situações inacreditáveis, e os pais que deveriam protegê-la são os próprios responsáveis, e como se não bastasse, ela ainda tem que enfrentar a violência do seu irmão Shawn. Até que um dia seu irmão mais querido Tyler, prevendo o tipo de vida que teria, resolve ir embora de casa para estudar e quando ele volta acaba convencendo Tara que ela deve fazer o mesmo. No entanto, é uma situação tão complexa, porque aqui nós compreendemos como é importante tudo o que acontece  na nossa infância, o quanto nós somos moldados pela nossa família, pelas pessoas que nos criam, nos educam, como esse laço é forte. E é tão triste, porque essa família faz tão mal à essa garota, que quando ela resolve fazer algo para ajudar a si própria, ela ainda se sente culpada, se sente traidora, pensa que não está sendo uma boa filha. Mas graças a educação que ela vai adquirindo ao longo do caminho, ela vai criando confiança em si mesma e consegue dar a volta por cima.Creio que antes de mais nada, este livro é sobre o poder transformador da educação, de compreendermos nas entrelinhas a importância de como o conhecimento, o estudo e a leitura nos traz entendimento sobre o mundo, sobre a vida.

Editora Rocco

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Por lugares incríveis

Esta é a história de Violet Markey e Theodore Finch ou parte dela.

 

Violet tinha uma vida perfeita, era linda, popular, tinha muitos amigos e um namorado incrível. Adorava escrever e tinha uma revista on-line com sua irmã Eleanor, era feliz e cheia de planos, mas tudo muda quando Violet e Eleanor sofrem um acidente de carro e Eleanor morre. Violet sente-se culpada pela morte da irmã, pára de escrever, e vive agora isolada tentando achar um motivo para continuar vivendo.

Já Theodore Finch é o contrário, ele é conhecido como o garoto problema da escola, seu apelido é aberração, tem um pai violento, uma família distante e luta com momentos depressivos. Violet conta os dias para a formatura quando pretende ir para nova York estudar e Finch pesquisa várias formas de suicídio. Numa de suas inúmeras tentativas de suicídio ele vai para o alto da torre do sino da escola e lá encontra Violet com a mesma intenção, mas ela desiste e não está conseguindo sair dali, então Finch a salva e a ajuda sair lá de cima, no entanto eles combinam de dizer que foi Violet quem salvou Finch, afinal ele já é mesmo o garoto problema e isso vai facilitar as coisas para Violet.

Os capítulos do livro são narrados por Violet e Finch alternadamente, assim temos a visão de ambos da história. Depois deste dia Finch começa a prestar mais atenção em Violet e meio que forçadamente eles irão fazer um trabalho de geografia juntos e irão visitar lugares incríveis de Indiana, estado onde vivem. Achei muito bacana que no final do livro tem um mapa com todos os lugares por onde eles passaram e todos aqueles lugares mágicos existem de verdade. Nessas andanças como eles dizem, eles encontram um no outro muito mais que um amigo e Violet começa a “viver” novamente e percebe que o Finch como na maioria das vezes na vida real, não é nem de longe aquilo que seus amigos da escola dizem.

O livro trata questões sérias como o suicídio, bullying, transtorno bipolar e como muitos jovem são nigligenciados pela família e pela sociedade de uma forma geral, mas a história nos é contada de forma tão sutil que embora haja tristeza nesses temas, é uma leitura leve, agradável, não queremos largar o livro. Tem muitas passagens bonitas que nos fazem refletir como por exemplo esta frase dita por Violet, “nem sempre podemos enxergar o que os outros não querem que a gente veja. Principalmente, quando se esforçam tanto para esconder.”

Não vou dizer muito mais sobre a história, pois sei que já ouviram falar muito deste livro e não quero dar spoiler e estragar a leitura de quem ainda não conhece.

Embora o final seja um tanto previsível, não deixa de surpreender. Li o último capítulo tensa, imaginando o que ia acontecer mas não querendo acreditar. Chorei, mas é uma história muito querida, todo mundo deve ler e tentar nem que seja por um momento, antes de qualquer julgamento vestir a pele do outro.

 

E vamos nos conscientizar que bullying não é legal, brincadeira é quando as duas partes se divertem, isso pode acarretar sérios problemas para a vida da pessoa. Na dúvida, não façamos com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco!

Tel: CVV (Prevenção ao suicídio) 188

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