Ensaio sobre a cegueira

Resenhar um livro de Saramago é tarefa complexa, pois tudo o que eu disser, parecerá banal diante da dimensão da literatura deste grande autor.
Acho que a frase deste livro que melhor traduz o sentido da história é essa, “ainda está por nascer o primeiro ser humano desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, bem mais dura que a outra, que por qualquer coisa sangra”.
Uma inexplicável epidemia de cegueira, a qual chamam de cegueira branca, atinge uma cidade, o primeiro a ser contaminado por assim dizer, é um homem que está dirigindo no trânsito e de repente se depara com uma superfície branca, daí o nome, e pouco a pouco vai se espalhando. Alguns deles se encontram no consultório do Dr. oftalmologista, que também acaba cegando, a única a não cegar é a mulher do médico. O governo achando se tratar de um mal contagioso, começa isolar todos os cegos num sanatório desativado da cidade, onde passam a viver sob condições subumanas, sem comida, sem roupas limpas, água e etc… Nessas condições as pessoas vivem como animais realmente e se relacionam sem quaisquer resquícios de vaidade ou julgamento. Um dia depois de uma grande confusão acontece um incêndio e eles se veem livres dessa prisão. Há um grupo de personagens peculiares que permanecem juntos, porém o mundo lá fora já não é o mesmo.
Não quero dar spoiler, então o que posso dizer à vocês é que o “ensaio sobre a cegueira”, abrange vários assuntos mas tem como tema central o egoísmo e a superficialidade com a qual vivemos no mundo contemporâneo, é como se diante disso, não merecessemos enxergar, para que a visão, se somos capazes de enxergar apenas nossos próprios interesses!?
“Cegueira é também a insensibilidade e a indiferença diante do infortúnio do outro”.
Não poderia deixar de mencionar esse trecho descrevendo o companheirismo e a alegria fortuita dos animais e que é tão lindo… “Tem, porém, a palavra comida poderes mágicos, mormente quando o apetite aperta, até o cão das lágrimas, que não conhece a linguagem, se pôs a abanar o rabo, o instintivo movimento fê-lo recordar-se que ainda não tinha feito aquilo a que estão obrigados os cães molhados, sacudirem-se com violência, respingando quanto estiver ao redor, neles é fácil, trazem a pele como se fosse um casaco. Água benta da mais eficaz, descida diretamente do céu, os salpicos ajudaram as pedras a transformarem-se em pessoas”.
Ao contrário de muitos livros, esta história não termina com um grande final que esclarece todos os acontecimentos, as respostas estão o tempo todo dentro da própria história e se você não for acometido pela cegueira branca, vai conseguir enxergar.

Obs: Trailer do filme, mas o livro é sempre melhor…

1408 – Stephen King

 Até então, nunca tinha tido a oportunidade de ler Stephen King, sempre tive vontade, pois assisti vários filmes baseados em seus livros e contos que adorei, então imaginava como de costume, que os livros fossem melhores ainda. Pois bem, recentemente tive a oportunidade de ter em mãos “Tudo é eventual”, uma coletânea de 14 contos de Stephen King e decidi ler esse conto 1408, do qual eu já tinha ouvido falar e inclusive tem um filme também com o John Cusack. Mike Enslin é um cético escritor de histórias mal assombradas e de fantasmas e pesquisando por algo especial para o seu novo livro, ele decide se hospedar no quarto 1408 do hotel Dolphin, famoso por ter ocorrido uma série de suicídios ali e nenhum hóspede ter saído com vida. Porém quando ele chega ao hotel, o gerente Olin, passa longas horas, tentando convencer Mike a não ficar naquele quarto e o alertando sobre algo sobrenatural e inexplicável que existe lá, confesso que essa parte é um pouquinho cansativa, mas a escrita de King é tão envolvente que isso não me desanimou a querer saber o que viria adiante. Mike ignora os avisos de Olin e acha tudo uma grande coincidência e por seu ceticismo falar mais alto, ele se hospeda no quarto 1408. Realmente coisas bem estranhas começam a acontecer, mas tudo o que se passa daqui pra frente é pura pressão psicológica, pois é você quem vai decidir se tudo o que acontece no quarto 1408, acontece de fato ou é fruto da imaginação de Mike. A resenha vai ser curtinha mesmo, para não ter spoiler, mas gostaria de deixar registrado aqui, que adorei ler esse conto de Stephen King, tanto que já comprei outro livro que há tempos procuro “As quatro estações”.

Por sinal, para quem gosta de Stephen King a Amazon está com uma ótima promoção dos livros dele, tem livros por menos de R$20,00 e frete super barato. Não sei até quando.. Aproveitem.

 

Um grande beijo e até a próxima…

Se houver amanhã / Sidney Sheldon

De todos os livros do Sidney Sheldon que eu já li e eu li vários, considero esse o melhor ” Se houver amanhã”, a história de Tracy Whitney é envolvente, daquelas que temos dificuldade de parar a leitura. Embora, eu tenha deixado de ler Sidney Sheldon, pois depois de alguns livros, eu sempre adivinhava como ia terminar, estou curiosa para ler a continuação, “Em busca de um novo amanhã”, que foi lançado em novembro do ano passado. E me parece que ainda tem alguns livros dele para serem lançados, quando ele morreu, deixou alguns livros escritos pela metade e colocou em testamento que queria que a Tilly Bagshawe os terminasse, mas a família quer que outro escritor continue as histórias, então a situação dos livros está meio conturbada. (Coisas de família).

       Mas, voltando,Tracy Whitney é uma mulher bonita, inteligente, articulada e cativante como toda heroína de Sidney Sheldon. Ela tem uma vida bem estruturada e um relacionamento seguro, mas vê sua vida virar de cabeça para baixo, quando vítima de uma armação, ela é condenada e presa por um crime que não cometeu. Tracy estava grávida e noiva, mas perde o bebê, e o noivo à abandona, e ainda tem que lidar com a morte da mãe, também relacionada com a armação. Presa durante 15 anos e muito revoltada, passa por todos os horrores da cadeia, e quando tem a liberdade, a única coisa na qual ela consegue pensar é em vingança e para isso ela não mede esforços para atingir seus objetivos, e por outro lado, tenta seguir com a vida, mas o mundo não é nada gentil com um ex presidiário.

     Bom, é justamente dessa parte em diante, que a história fica mais interessante, cheia de tramas, golpes e surpresas. Também conhecemos o inescrupuloso Jeff, com quem Tracy compete de uma forma particular. As armações dela são tão ousadas, que muitas vezes duvidamos que aquilo possa dar certo ao mesmo tempo em que torcemos para essa heroína às avessas escapar de mais uma, já que agora ela se transformou em uma grande golpista e ainda tem que ter cuidado com um detetive particular que está na sua cola, louco para capturá-la. Se ela terá sucesso ou não na sua vingança, vou deixar que vocês descubram sozinhos.

     Como podem ver ação é o que não falta nesse livro, a leitura é fácil e rápida, já que não percebemos o tempo passar, e se gostarem e quiserem saber o que aconteceu na vida de Tracy muitos anos depois, leiam ” Em busca de um novo amanhã”. É o que eu irei fazer em breve!

Ambos da editora Record

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As irmãs Harker/ Mina Ford

Mina Ford é uma escritora não muito conhecida, me parece que é inglesa, já tentei pesquisar na Internet sobre ela, mas para minha surpresa, nada encontrei.

Aqui no Brasil, só encontrei 2 livros traduzidos, “O casamento de mentirinha de Katie Simpson” e “As irmãs Harker”. O que sei dela, são as informações que constam no livro, estudou letras e passou um ano na França, antes de trabalhar para uma empresa de mídia em Londres. Depois foi para a relativa tranqüilidade de Bath na Inglaterra, onde escreveu seu primeiro romance.

Este livro, “As irmãs Harker”, me surpreendeu, já li faz bastante tempo, então peço desculpas se algum fato não tiver descrito exatamente como no livro. Não sei porque alguns livros pouco interessantes fazem tanto sucesso, enquanto outros tão bons não fazem, é o caso desse livro, ele tem 414 páginas que a gente não vê passar.

Hermione e Harriet são irmãs gêmeas idênticas, mas opostas na personalidade, Hermione sempre foi a mais popular,a mais sensual, a mais charmosa, enquanto Harriet era mais tímida, mais na dela, apesar disso sempre foram muito unidas. No entanto, uma noite seus pais saem para jantar fora e elas resolvem fazer uma festinha de aniversário em casa. No decorrer da festa, Harriet sai procurando seu namorado Will pela festa, para apresentá-lo a sua irmã que tinha chegado de viagem, quando o encontra, eis a surpresa, ele e Hermione estavam se beijando.Os dois já se conheciam. As irmãs brigam, Harriet fica muito brava com Hermione e o namorado e como se não bastasse ainda chega a polícia para avisar-lhes que seus pais sofreram um acidente de carro fatal. No momento em que elas mais precisam uma da outra, elas estão brigadas, Harriet fica na cidade inglesa de Bath e Hermione vai para o Canadá, as duas ficam 15 anos sem se falar e sem saber uma da outra, nem um telefonema.

Nesse tempo Mina Ford dedica um capítulo a nos contar sobre Harriet e outro sobre Hermione e assim sucessivamente.

Harriet acabou de se separar e já está de olho em Jesse, seu vizinho bonitão e cheio de charme, Hermione acaba de saber que está grávida, porém o pai de seu filho é casado! Assim segue a vida das duas, cheias de conflitos e desencontros até que alguns acontecimentos e alguns amigos resolvem reaproximá-las… Quer saber o que acontece daqui para frente? Leia “as irmãs Harker”. Um livro que fala sobre família, amizade e amor, com personagens envolventes e engraçados, você vai ver essas 414 páginas voarem na sua frente!

Editora Record

O caderno de Noah ou Diário de uma paixão…

Nicholas Sparks não é propriamente o que possamos chamar de um “grande escritor”, mas ele sabe contar boas histórias de amor e plagiando uma amiga minha, “é daqueles livros que a gente lê, quando está com preguiça de pensar” e quer um bom passa tempo.
Eu particularmente prefiro o título “O caderno de Noah”, esse livro fez muito sucesso, vendeu horrores e por muito tempo ficou esgotado, até ser editado novamente com o título “Diário de uma paixão” pela editora Novo Conceito.

“Não sou nada especial, disso estou certo. Sou um homem comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração e, para mim, isso sempre bastou.” Noah Calhoun

Assim começa a história de Noah Calhoun e Allison Nelson, tudo se passa em 1946 na Carolina do Norte. Noah mora na cidade e Allison vai passar férias com a família, os dois se conhecem ainda bem jovens e se apaixonam. Porém, como todo bom romance, as coisas não são tão simples, Noah sempre foi um homem trabalhador, bom caráter, gentil e amoroso, mas isso não bastava a família de Allie, para eles faltava o mais importante, dinheiro e uma boa posição social. Sendo assim, eles desaprovavam a relação dos dois e quando perceberam que a situação estava se intensificando, acabaram com as férias e foram embora levando Allie. Ambos ficaram muito abalados e prometeram que se corresponderiam por cartas, até que pudessem se reencontrar e casar. Mas Allie nunca recebeu as cartas que Noah escreveu durante um ano, pois sua mãe não permitia que essas cartas chegassem até ela, com isso, os dois pensam que um esqueceu o outro e resolvem seguir com a vida.
Allie fica noiva e depois de muitos anos vê uma foto de Noah num jornal, isso mexe muito com ela, pois eles nunca se esqueceram, então ela decide procurar Noah para por um ponto final nessa história, mas acontece justamente o contrário, depois de tudo explicado, ela termina o noivado e escolhe ficar com Noah. Os dois vivem muito felizes, os anos passam, a idade chega, e aí começa a parte mais triste e comovente da história. É simplesmente tocante o tamanho se me permitem assim dizer, do amor que Noah sente por Allie e tudo que ele se propõe a fazer, para ter mais um momento que seja, ao lado da mulher amada e, para quem duvidar que esse homem existiu, o livro foi baseado na história dos sogros de Nicholas Sparks.
Eu vou parando por aqui, para não estragar os momentos mais intensos e emocionantes do livro para quem quiser ler. Chorei, chorei, chorei….
Não há ser humano que não se comova com uma bela história de amor, não é mesmo?!

Caderno de Noah – editora Objetiva  / Diário de uma paixão – editora Novo Conceito

 

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Confie em mim / Harlan Coben

Mike Baye é médico e vive uma vida confortável com sua esposa Tia e seus filhos Adam e Jill. Tudo corria “tranqüilamente”, até que o melhor amigo de Adam , Spencer Hill comete suicídio e Adam começa a se comportar de uma maneira bem estranha desde então, Ele está sempre distante, esquivo, a princípio sua mãe acha que é só um comportamento adolescente, mas logo começa a se preocupar de verdade. É quando Mike e Tia decidem instalar um programa de monitoração no computador de Adam, todos os dias eles recebem um relatório das atividades de Adam no micro e tudo vai bem até que ele recebe uma mensagem de um desconhecido dos pais dizendo “Fica de bico calado, que a gente se safa”.

Ao mesmo tempo, o autor nos vai conectando a outras histórias paralelas como a da família de Spencer, seus pais em especial sua mãe Betsy que não se conforma com o que aconteceu ao filho e se sente culpada por não ter percebido nada. Temos também Yasmin amiga de Jill, que mora com o pai e viu sua vida virar um inferno, depois de um comentário maldoso de um professor. Nesse meio tempo Adam é procurado na escola pela mãe de Spencer que lhe pergunta sobre uma foto que ela encontrou em um site de homenagem ao filho, na qual ela consegue  enxergar vultos, ou seja Spencer não estava sozinho quando morreu. Será que foi mesmo suicídio? Adam sai correndo sem responder, ele tinha combinado de ir a um jogo de hóquei com seu pai mas não aparece e some.

Susan é paciente do Dr. Mike e tem um filho doente que precisa de transplante, mas quando fazem exames, descobrem que Susan guarda um grande segredo. Todas estas histórias tem uma ligação entre elas. Mike e Tia não medem esforços para encontrar Adam, e o que vão descobrindo daí pra frente, creio que nem o leitor mais perspicaz, será capaz de suspeitar.

O autor também discute temas importantes, como os relacionamentos entre pais e filhos, os limites da nossa vida digital e a tênue linha que separa cuidado e proteção de invasão de privacidade. É daqueles livros que você precisa parar de ler, mas quer saber o que acontece na próxima página, e na próxima e na próxima…

Acho que Dan Brown deu uma excelente definição para Harlan Coben, ele disse: “ Ele te seduz na primeira página para te chocar na última.” É isso!

Grande editora Arqueiro

 

A febre dos Best sellers “A Cabana”

A Cabana

Olá Galera! O leitura com pipoca andava meio sumido, devido essa vida maluca e corrida que a gente leva, mas agora estamos de volta e pra ficar, rsrs…

Bem, vamos lá, como esse livro ainda é bem procurado, resolvi falar dele e dar a minha humilde opinião.

Toda vez, que vem a febre de algum best seller, não tem jeito, os amantes de livros ficam no mínimo ansiosos para saber do que se trata, mesmo que um best seller, seja geralmente só um best seller. O livro de William P. Young é mais um desses, a princípio, ele disse que não era para ser um livro, foi só uma história  que ele escreveu  para presentear alguns amigos no natal, e visto por essa ótica teria funcionado bem se tivesse parado por aí. A narrativa é sobre Mack Allen Philips, um homem que perdeu su a filha Missy de seis anos durante um acampamento e nunca mais a encontrou, mas a polícia diz haver sinais de que ela foi assassinada. Então a história  se desenrola toda em cima dessa situação, o pai inconformado com a perda da filha, passa a se questionar a respeito da existência de Deus e do porque ele permitir que esse tipo de coisa aconteça.

Um tanto presunçoso, já que logo no prefácio o autor diz “se você odiar essa história, desculpe, ela não foi escrita para você”, ou seja o leitor tem apenas duas alternativas, ou gosta da história ou aceita que ela não foi escrita pra ele. Tudo bem, na minha opinião o livro é chato, não pelo tema que aborda mas pela forma como é tratado.

Voltando a história, em determinado momento Mack recebe um bilhete, que ele acredita ser de “Deus”para se encontrar com ele numa cabana, onde ele explicaria os mistérios da nossa existência, e é a partir daí que o texto se torna enfadonho e repetitivo, querendo a todo custo nos fazer aceitar uma ideia que sinceramente não convence muito. Sejamos justos, o livro tem mensagens bonitas e positivas, mas se assemelha mais a um livro de auto ajuda, do que aquilo que se propõe.

Confesso que eu li essa obra numa época da minha vida em que eu pensava da seguinte forma, se eu comprei o livro ou mesmo se emprestei, mas me dispus a ler, tenho que ler até o final, pois só assim poderei ter uma opinião consistente a respeito, por isso me obrigava a ler o danado inteirinho, mesmo quando não estava agradando, anos e muitos livros depois, percebi que nem se eu vivesse 200 anos daria conta de ler todos os livros que eu gostaria. Então, ler um livro que não está agradando com tantas leituras incríveis me esperando, é uma grande bobagem. Pra mim um livro tem que ser bom, no inicio, meio e fim, não dá para ler um livro chato, que fica bom nas últimas  dez páginas e nem acredito nisso.

Enfim, o que eu quero dizer, é que hoje, com certeza eu não teria chegado ao fim deste livro, teria desistido logo nas primeiras páginas, mas quem tiver curiosidade, vale tentar, de repente essa história foi escrita para você.

Editora Arqueiro / Tradução de  Alves Calado