Porque a vida é assim…

 

Olá pessoal!!! Sei que o leitura com pipoca anda meio sumido, e me senti na obrigação de vir aqui dar uma satisfação à todas as pessoas que carinhosamente já curtiram ou seguem esse blog, à todos os e-mails que recebo diariamente informando sobre mais um novo seguidor, ainda são poucos, mas preciosos e sei que com dedicação chegaremos bem mais longe. Enfim,vamos ao que interessa, em janeiro deste ano, numa consulta de rotina com minha ginecologista, descobri um câncer de mama, superado o choque, a ansiedade e o impacto da confirmação do diagnóstico, que desde o primeiro exame em janeiro, fui obter a confirmação em março, agora segue tudo mais tranqüilo.Quer dizer, desde então minha vida tem sido exames e mais exames, consultas, cirurgia e a famosa quimioterapia, por isso a distância do blog. Tudo surreal para quem há anos, não tinha sequer um resfriado. Mas, a vida é assim nos prega peças e muitas vezes nos momentos em que mais fazemos planos, porém como dizem, às vezes é preciso que a vida nos sacuda com muita força para nos darmos conta que o tempo que nos resta, não é para ser mal gasto e bem me disse uma médica que o pior desta doença por tudo que a gente “ouve falar” é receber o diagnóstico dela. Há muita desinformação sobre muitas coisas, por isso resolvi escrever este post também, porque se ele servir para ajudar uma pessoa que seja, já terei atingido meu objetivo. É claro que como disse no começo sofri com o impacto da notícia, chorei muito, ainda sou nova, tenho muita coisa para viver, e saber que você é portadora de uma doença que pode te matar é chocante. Mas sem falso moralismo, tenho aprendido muita coisa, inclusive que ao contrário do que muitas pessoas pensam, o portador de neoplasia maligna (é assim que chamam…), não é nenhum coitado, digno de pena e com prazo de validade, não,é apenas um problema de saúde sério que como tantos outros exige nossa dedicação e força de vontade para ser sanado e acredito que ainda um dia descobrirão que o câncer é um problema muito mais emocional do que qualquer outra coisa.

O tratamento não é fácil, ainda no nosso caso, das mulheres tem todo o lance da estética e da auto estima, a queda dos cabelos e etc… Muitas pessoas te dizem que cabelo é o de menos que depois cresce, realmente cresce mesmo, mas o cabelo para uma mulher nunca é o de menos, se olhar no espelho de cabelo curto e careca tem uma grande diferença, não é legal, não é bom ter que se preocupar em cobrir a cabeça toda vez que vai sair e muitas vezes até preferir ficar em casa. Admiro que tem coragem de assumir a careca e segue em frente… Eu não tive essa coragem… Mas para tudo há uma saída, e com um pouco de informação cheguei a um projeto lindo chamado “amor em mechas” da querida Débora Vivaldi, eles fazem doação de perucas de cabelos humanos para pacientes em quimioterapia e se você ainda tiver cabelos compridos, eles cortam seu cabelo e te fazem uma peruca com seu próprio cabelo. Tudo isso sem custo algum, com o único objetivo de doar amor ao próximo. Fantástico, não é mesmo!? Foi a melhor coisa que eu fiz, ficou perfeito! No entanto, voltando à doença, ela te dá duas alternativas, uma é ficar deprimida e deixar a doença e o tratamento vencer você e a outra é escolher viver, enfrentar essa situação que não é fácil, mas ter a certeza de que passa, tudo passa, e se você encarar como um problema que pode acontecer com qualquer, qualquer pessoa, as coisas se tornam mais leves. Eu, escolhi viver e graças a Deus sou uma pessoa tão abençoada, que só posso agradecer, pois desde que soube da doença,a minha fé nunca me permitiu que me faltasse nada, as coisas mais improváveis sempre me aconteceram das melhores maneiras. Estou cercada das melhores pessoas e cheia de amor. Hoje, faz duas semanas e 4 dias que fiz a primeira sessão de quimioterapia e tirando 2 dias de enjoo mais severo, neste momento parece que não fiz nada, sinto-me absolutamente normal e tenho fé que as demais serão da mesma forma.

Não sei se voltarei a falar aqui a respeito disso, pode ser que sim, pode ser que não, mas eu gostaria que muitas pessoas, especialmente mulheres que recebem o diagnóstico de câncer de mama, soubessem que a nossa vida não acaba nesse momento e dependendo da forma que você escolher encarar, pode até significar um renascimento, você pode se tornar um ser humano melhor e a vida ficar muito mais interessante. Quero ajudar, assim como fui ajudada, por isso, compartilhe este post, reblog, ou se você conhecer alguém que passa por isso, mostre este post à ela (e), fale do site amor em mechas… Vou deixar aqui em baixo o endereço do site.

Gratidão sempre e vida que segue.

 

www.amoremmechas.com

 

papa

 

A pátria sem nação

Olá Pessoal!

Sei que esse espaço aqui foi criado para falar de livros e filmes, mas me perdoem, eu não poderia ver uma medida tão descabida como a PEC 241/55 ser aprovada pela maioria no senado e não dizer nada. E pior, não ouvir nenhum tilintar das panelas, nem tão pouco ouvir falar sobre uma manifestação na Av. Paulista, domingo.

O que acontece com o povo brasileiro?

Eu me pergunto, sou anticorrupção somente quando me roubam na rua? Quando de alguma forma sou diretamente prejudicada? Ou sou anticorrupção quando roubam a mim, meu irmão, meu amigo, meu semelhante? E por ser algo errado e antiético? Compreendam, isso não se trata de direita ou esquerda, é um questão de retrocesso apenas. “Um governo que caminha contra, que quer impor sacrifícios apenas aos mais pobres e poupar ricos de maior tributação.” Todos queremos o melhor para o Brasil, mesmo que existam divergências a respeito de como alcançar o mesmo objetivo, eu só não consigo aceitar que alguém se permita convencer de que não investir em saúde e educação é melhor para o país. Pois o que vejo, é uma sociedade inerte, hipnotizada como se estivesse sob o efeito de alguma droga como em “admirável mundo novo”, incapaz de ter um raciocínio lógico por mais breve que seja. O momento que o país vive é complicado sim, mas não acho justo jogar toda essa carga nas costas dos menos favorecidos, porque é isso que farão com essa Pec 241/55. A base da nossa sociedade é a saúde e a educação.

Quem aqui já precisou alguma vez utilizar a saúde pública sabe do que eu estou falando e quem nunca precisou saiba, não há nada mais difícil na vida, do que ver seu pai, sua mãe, seu filho doente, com dor, piorando seu estado de saúde dia após dia e não ter para onde correr. Há alguns anos, meu pai precisou fazer uma cirurgia na coluna, pois corria o risco de ficar paraplégico e eu tive que recorrer a uma rádio para que o caso dele fosse considerado prioritário e realizassem a cirurgia no hospital das Clínicas em São Paulo, sabemos que aqui as coisas nunca foram fáceis, mas imaginem agora como ficará a saúde daqui para frente com zero de investimento. E a educação? Convivo com crianças de 12 anos que não sabem direito a tabuada e não precisa muita informação para constatar que isso não é um caso isolado, à que futuro estamos condenados? Estamos formando jovens que vão à manifestações não para reivindicar condições de vida mais justas para o seu povo, mas tirar selfies com políticos famosos. Não fiquem presos a um único meio de informação, esqueçam as “redes globos” da vida e vamos acordar Brasil, antes que seja tarde demais. Lembrando que há muito tempo Einstein já dizia: einstein

Abaixo seguem algumas perguntas publicadas pela revista Carta Capital que explicam bem e deixam bem claro, qual a real intenção do governo com a Pec 241/55.

O que diz a Constituição em relação aos gastos com a saúde e a educação?

A Constituição em vigor determina que ao menos 18% da Receita Líquida de Impostos (RLI) do governo federal devem ser gastos obrigatoriamente em educação. Na saúde, o mínimo é 15% da Receita Corrente Líquida (RCL), porcentual a ser alcançado gradualmente até 2020.

A obrigatoriedade de aplicações iguais ou superiores a esses porcentuais é considerada indispensável para combater a profunda desigualdade de acesso à saúde e à educação no País.

O que acontecerá com a destinação das verbas se a PEC passar?

Os valores aplicados em 2016 correspondem a 15% da RCL em saúde e 23% da RLI em educação. Em 2017, os porcentuais serão 18% e 15%, respectivamente. A partir de 2018, as duas áreas terão como pisos os valores mínimos do ano anterior, reajustados só pela inflação.

Hoje o aumento dos gastos acompanha o crescimento da receita, quase sempre superior à inflação. A conclusão é que o valor mínimo destinado à educação e saúde cairá como proporção das receitas de impostos e também em relação ao PIB, com grave prejuízo para a população de menor renda.

O que diz o governo?

Segundo o governo, a PEC 55 não prejudica a saúde e a educação, pois seu único objetivo é promover maior realismo orçamentário. Ela não congela os gastos reais com saúde e educação, dizem as autoridades, só estabelece que, para aumentá-los, será necessário diminuir os gastos reais em outros itens do Orçamento.

Mas se é assim, por que a proposta contém um artigo específico que prevê a redução dos atuais mínimos constitucionais de gastos com saúde e educação? Isso, os defensores da PEC 55 não explicam.

A PEC 55 é uma proposta moderna? Outros países adotaram medida semelhante?

A proposta é atrasada, por vários motivos. Não há outro país com uma regra semelhante válida por duas décadas. Limites para o crescimento de despesas são fixados para alguns anos e têm por base o comportamento do PIB, que é o que faz sentido.

Além disso, a PEC contraria a tendência mundial de revisão das políticas de austeridade fiscal dos governos, apontadas como uma causa importante da estagnação das economias desde 2008.

O governo diz que a medida é necessária por causa do descontrole dos gastos primários do governo em 2014 e 2015, que estaria na origem do aumento da dívida pública nesses anos.

Isso não é verdade. Na última década, o Brasil só teve déficit primário nos últimos dois anos.

A PEC contribuiria para o crescimento econômico?

A contenção de gastos imposta pela PEC deverá provocar a paralisação ou redução dos investimentos públicos em infraestrutura, educação e saúde por duas décadas e isso não ajuda na retomada da economia. Ao contrário, poderá agravar a situação.

Quais alternativas poderiam ser adotadas? 

A principal delas é o aumento dos impostos sobre os ricos. Nesse campo, o Brasil está muito atrasado. A partir de 2008, 21 dos 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico aumentaram a tributação dos mais ricos.

Os Estados Unidos elevaram as alíquotas máximas do Imposto de Renda daquela camada e o Chile tomou medida semelhante em 2013, para financiar a educação. O Brasil é um dos poucos lugares onde não se toca no tema.

Para os super-ricos daqui, com renda média de 4 milhões de reais, dois terços dos seus ganhos, compostos de lucros e dividendos, são isentos e um quarto está aplicado no mercado financeiro com alíquotas, em média, entre 16% e 17%.

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Isto é água

David Foster Wallace foi um reconhecido e premiado escritor americano, responsável por sucessos como “A vassoura do sistema, O rei pálido, Graça infinita”entre outros. Ele sofria de depressão e se suicidou aos 46 anos em 2008. Ainda não tive a oportunidade de ler nenhum de seus livros ( o que farei em beve), mas há pouco tempo fiquei sabendo pelo jornalista e escritor Xico Sá da existência de um discurso feito por David na cerimônia de formatura de um curso de artes nos Estados Unidos, anos antes de sua morte. E o que ele diz nesse discurso é simplesmente fantástico, não serve apenas para um jovem formando mas para qualquer pessoa que possua a aspiração de uma vida mais saudável mentalmente falando. O texto é um pouco longo, mas é ótimo e tenho certeza que em algum parágrafo ele vai se encaixar perfeitamente na sua vida. Sei que muitas pessoas nem vão dar atenção para isso e talvez o mundo não se torne melhor ou mais justo por conta desse discurso, mas se você ler e conseguir compreender a essência do que o David Foster Wallace diz, eu acredito muito que o seu mundo já ficará bem melhor. Por isso, senti que eu tinha que levar esse discurso ao maior número de pessoas possível, então decidi publicar aqui nesse pequeno espaço, mas se eu conseguir fazer uma pessoa que seja ler, já vou ficar feliz. Esse texto já foi publicado também pela revista Piauí (é o que lerão aqui) e me parece que agora Daniel Galera está traduzindo uma versão para a Companhia das letras.Vocês também podem ver mais sobre o assunto no ótimo “discreto blog da burguesia”.

Abaixo o texto e no final o link do discurso no youtube com a voz dele mesmo, só imagens reais do discurso é que não encontrei em nenhum vídeo.

Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

– Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

– Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa forma, a frase soa como uma platitude – mas é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

Querem ver? Todas as experiências pelas quais vocês passaram tiveram, sempre, um ponto central absoluto: vocês mesmos. O mundo que se apresenta para ser experimentado está diante de vocês, ou atrás, à esquerda ou à direita, na sua tevê, no seu monitor, ou onde for. Os pensamentos e sentimentos dos outros precisam achar um caminho para serem captados, enquanto o que vocês sentem e pensam é imediato, urgente, real. Não pensem que estou me preparando para fazer um sermão sobre compaixão, desprendimento ou outras “virtudes”. Essa não é uma questão de virtude – trata-se de optar por tentar alterar minha configuração padrão original, impressa nos meus circuitos. Significa optar por me libertar desse egocentrismo profundo e literal que me faz ver e interpretar absolutamente tudo pelas lentes do meu ser.

Num ambiente de excelência acadêmica, cabe a pergunta: quanto do esforço em adequar a nossa configuração padrão exige de sabedoria ou de intelecto? A pergunta é capciosa. O risco maior de uma formação acadêmica – pelo menos no meu caso – é que ela reforça a tendência a intelectualizar demais as questões, a se perder em argumentos abstratos, em vez de simplesmente prestar atenção ao que está ocorrendo bem na minha frente.

Estou certo de que vocês já perceberam o quanto é difícil permanecer alerta e atento, em vez de hipnotizado pelo constante monólogo que travamos em nossas cabeças. Só vinte anos depois da minha formatura vim a entender que o surrado clichê de “ensinar os alunos como pensar” é, na verdade, uma simplificação de uma idéia bem mais profunda e séria. “Aprender a pensar” significa aprender como exercer algum controle sobre como e o que cada um pensa. Significa ter plena consciência do que escolher como alvo de atenção e pensamento. Se vocês não conseguirem fazer esse tipo de escolha na vida adulta, estarão totalmente à deriva.

Lembrem o velho clichê: “A mente é um excelente servo, mas um senhorio terrível.” Como tantos clichês, também esse soa inconvincente e sem graça. Mas ele expressa uma grande e terrível verdade. Não é coincidência que adultos que se suicidam com armas de fogo quase sempre o façam com um tiro na cabeça. Só que, no fundo, a maioria desses suicidas já estava morta muito antes de apertar o gatilho. Acredito que a essência de uma educação na área de humanas, eliminadas todas as bobagens e patacoadas que vêm junto, deveria contemplar o seguinte ensinamento: como percorrer uma confortável, próspera e respeitável vida adulta sem já estar morto, inconsciente, escravizado pela nossa configuração padrão – a de sermos singularmente, completamente, imperialmente sós.

Isso também parece outra hipérbole, mais uma abstração oca. Sejamos concretos então. O fato cru é que vocês, graduandos, ainda não têm a mais vaga idéia do significado real do que seja viver um dia após o outro. Existem grandes nacos da vida adulta sobre os quais ninguém fala em discursos de formatura. Um desses nacos envolve tédio, rotina e frustração mesquinha.

 

Vou dar um exemplo prosaico imaginando um dia qualquer do futuro. Você acordou de manhã, foi para seu prestigiado emprego, suou a camisa por nove ou dez horas e, ao final do dia, está cansado, estressado, e tudo que deseja é chegar em casa, comer um bom prato de comida, talvez relaxar por umas horas, e depois ir para cama, porque terá de acordar cedo e fazer tudo de novo. Mas aí lembra que não tem comida na geladeira. Você não teve tempo de fazer compras naquela semana, e agora precisa entrar no carro e ir ao supermercado. Nesse final de dia, o trânsito está uma lástima.

Quando você finalmente chega lá, o supermercado está lotado, horrivelmente iluminado com lâmpadas fluorescentes e impregnado de uma música ambiente de matar. É o último lugar do mundo onde você gostaria de estar, mas não dá para entrar e sair rapidinho: é preciso percorrer todos aqueles corredores superiluminados para encontrar o que procura, e manobrar seu carrinho de compras de rodinhas emperradas entre todas aquelas outras pessoas cansadas e apressadas com seus próprios carrinhos de compras. E, claro, há também aqueles idosos que não saem da frente, e as pessoas desnorteadas, e os adolescentes hiperativos que bloqueiam o corredor, e você tem que ranger os dentes, tentar ser educado, e pedir licença para que o deixem passar. Por fim, com todos os suprimentos no carrinho, percebe que, como não há caixas suficientes funcionando, a fila é imensa, o que é absurdo e irritante, mas você não pode descarregar toda a fúria na pobre da caixa que está à beira de um ataque de nervos.

De qualquer modo, você acaba chegando à caixa, paga por sua comida e espera até que o cheque ou o cartão seja autenticado pela máquina, e depois ouve um “boa noite, volte sempre” numa voz que tem o som absoluto da morte. Na volta para casa, o trânsito está lento, pesado etc. e tal.

É num momento corriqueiro e desprezível como esse que emerge a questão fundamental da escolha. O engarrafamento, os corredores lotados e as longas filas no supermercado me dão tempo de pensar. Se eu não tomar uma decisão consciente sobre como pensar a situação, ficarei irritado cada vez que for comprar comida, porque minha configuração padrão me leva a pensar que situações assim dizem respeito a mim, a minha fome, minha fadiga, meu desejo de chegar logo em casa. Parecerá sempre que as outras pessoas não passam de estorvos. E quem são elas, aliás? Quão repulsiva é a maioria, quão bovinas, e inexpressivas e desumanas parecem ser as da fila da caixa, quão enervantes e rudes as que falam alto nos celulares.

Também posso passar o tempo no congestionamento zangado e indignado com todas essas vans, e utilitários e caminhões enormes e estúpidos, bloqueando as pistas, queimando seus imensos tanques de gasolina, egoístas e perdulários. Posso me aborrecer com os adesivos patrióticos ou religiosos, que sempre parecem estar nos automóveis mais potentes, dirigidos pelos motoristas mais feios, desatenciosos e agressivos, que costumam falar no celular enquanto fecham os outros, só para avançar uns 20 metros idiotas no engarrafamento. Ou posso me deter sobre como os filhos dos nossos filhos nos desprezarão por desperdiçarmos todo o combustível do futuro, e provavelmente estragarmos o clima, e quão mal-acostumados e estúpidos e repugnantes todos nós somos, e como tudo isso é simplesmente pavoroso etc. e tal.

Se opto conscientemente por seguir essa linha de pensamento, ótimo, muitos de nós somos assim – só que pensar dessa maneira tende a ser tão automático que sequer precisa ser uma opção. Ela deriva da minha configuração padrão.

Mas existem outras formas de pensar. Posso, por exemplo, me forçar a aceitar a possibilidade de que os outros na fila do supermercado estão tão entediados e frustrados quanto eu, e, no cômputo geral, algumas dessas pessoas provavelmente têm vidas bem mais difíceis, tediosas ou dolorosas do que eu.

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Fazer isso é difícil, requer força de vontade e empenho mental. Se vocês forem como eu, alguns dias não conseguirão fazê-lo, ou simplesmente não estarão a fim. Mas, na maioria dos dias, se estiverem atentos o bastante para escolher, poderão preferir olhar melhor para essa mulher gorducha, inexpressiva e estressada que acabou de berrar com a filhinha na fila da caixa. Talvez ela não seja habitualmente assim. Talvez ela tenha passado as três últimas noites em claro, segurando a mão do marido que está morrendo. Ou talvez essa mulher seja a funcionária mal remunerada do Departamento de Trânsito que, ontem mesmo, por meio de um pequeno gesto de bondade burocrática, ajudou algum conhecido seu a resolver um problema insolúvel de documentação.

Claro que nada disso é provável, mas tampouco é impossível. Tudo depende do que vocês queiram levar em conta. Se estiverem automaticamente convictos de conhecerem toda a realidade, vocês, assim como eu, não levarão em conta possibilidades que não sejam inúteis e irritantes. Mas, se vocês aprenderam como pensar, saberão que têm outras opções. Está ao alcance de vocês vivenciarem uma situação “inferno do consumidor” não apenas como significativa, mas como iluminada pela mesma força que acendeu as estrelas.

Relevem o tom aparentemente místico. A única coisa verdadeira, com V maiúsculo, é que vocês precisam decidir conscientemente o que, na vida, tem significado e o que não tem.

Na trincheira do dia-a-dia, não há lugar para o ateísmo. Não existe algo como “não venerar”. Todo mundo venera. A única opção que temos é decidir o que venerar. E o motivo para escolhermos algum tipo de Deus ou ente espiritual para venerar – seja Jesus Cristo, Alá ou Jeová, ou algum conjunto inviolável de princípios éticos – é que todo outro objeto de veneração te engolirá vivo. Quem venerar o dinheiro e extrair dos bens materiais o sentido de sua vida nunca achará que tem o suficiente. Aquele que venerar seu próprio corpo e beleza, e o fato de ser sexy, sempre se sentirá feio – e quando o tempo e a idade começarem a se manifestar, morrerá um milhão de mortes antes de ser efetivamente enterrado.

No fundo, sabemos de tudo isso, que está no coração de mitos, provérbios, clichês, epigramas e parábolas. Ao venerar o poder, você se sentirá fraco e amedrontado, e precisará de ainda mais poder sobre os outros para afastar o medo. Venerando o intelecto, sendo visto como inteligente, acabará se sentindo burro, um farsante na iminência de ser desmascarado. E assim por diante.

O insidioso dessas formas de veneração não está em serem pecaminosas – e sim em serem inconscientes. São o tipo de veneração em direção à qual você vai se acomodando quase que por gravidade, dia após dia. Você se torna mais seletivo em relação ao que quer ver, ao que valorizar, sem ter plena consciência de que está fazendo uma escolha.

 

O mundo jamais o desencorajará de operar na configuração padrão, porque o mundo dos homens, do dinheiro e do poder segue sua marcha alimentado pelo medo, pelo desprezo e pela veneração que cada um faz de si mesmo. A nossa cultura consegue canalizar essas forças de modo a produzir riqueza, conforto e liberdade pessoal. Ela nos dá a liberdade de sermos senhores de minúsculos reinados individuais, do tamanho de nossas caveiras, onde reinamos sozinhos.

Esse tipo de liberdade tem méritos. Mas existem outros tipos de liberdade. Sobre a liberdade mais preciosa, vocês pouco ouvirão no grande mundo adulto movido a sucesso e exibicionismo. A liberdade verdadeira envolve atenção, consciência, disciplina, esforço e capacidade de efetivamente se importar com os outros – no cotidiano, de forma trivial, talvez medíocre, e certamente pouco excitante. Essa é a liberdade real. A alternativa é a torturante sensação de ter tido e perdido alguma coisa infinita.

Pensem de tudo isso o que quiserem. Mas não descartem o que ouviram como um sermão cheio de certezas. Nada disso envolve moralidade, religião ou dogma. Nem questões grandiosas sobre a vida depois da morte. A verdade com V maiúsculo diz respeito à vida antes da morte. Diz respeito a chegar aos 30 anos, ou talvez aos 50, sem querer dar um tiro na própria cabeça. Diz respeito à consciência – consciência de que o real e o essencial estão escondidos na obviedade ao nosso redor – daquilo que devemos lembrar, repetindo sempre: “Isto é água, isto é água.”

É extremamente difícil lembrar disso, e permanecer consciente e vivo, um dia depois do outro.

David Foster Wallace

David Foster Wallace (1962–2008), romancista e ensaísta americano. Autor do livro Graça Infinita, lançado pela Companhia das Letras.

24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

Fala Pessoal! Passando só para deixar um lembrete sobre a Bienal Internacional do Livro  que acontece em São Paulo, agora do dia 26/08 à 04/09. Ingressos de R$ 20,00 à R$ 25,00 (descontos nas compras acima de três) e descontos para estudantes. A galera louca por livros, deve estar ansiosa e não é pra menos, muitas coisas legais nos esperam por lá… Este ano, teremos a presença de autores como Leandro Karnal, Mário Sérgio Cortella, Mauricio de Sousa, Lucinda Riley, Marian Keyes, Thalita Rebouças e muitos outros, na área de gastronomia Chefs como André Boccato, Ana Luiza Trajano, palestras com o querido Erick Jacquin e youtubers, Jou Jou, Kéfera, Maju Trindade, entre outros. Com tanta gente legal, não dá pra perder né!???

Aqui você terá todas as informações sobre a bienal:

http://www.bienaldolivrosp.com.br/

A mágica da leitura

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre a  leitura, nosso país como todos sabem, ainda caminha vagarosamente nesse sentido e tem a velha história dos livros serem caros. Ta bem, verdade seja dita, para quem vive ou melhor sobrevive com o nosso “rico” salário mínimo, realmente o livro no Brasil é caro. Mas existem lugares com preços mais acessíveis e até bem baratos mesmo, como os “sebos”, lugares onde mais compro meus livros, pois além de pagar menos, é possível encontrar edições raras e esgotadas e hoje ainda temos o site http://www.estantevirtual.com.br/ que reúne sebos do Brasil todo e você pode comprar seus livros mais baratos sem nem sair de casa. E não sejamos preconceituosos, no sebo Alternativa onde trabalho em Pinheiros, já vendi livros para artistas como Lenine, Ana Carolina, Maria Paula, Bruno Garcia, Malu Magalhães, Edgar Scandurra, escritores como Ruy Castro que já autografou livros para mim e um dos maiores empresários do Brasil Rodolfo Galvani Junior, além do meu saudoso amigo economista e jornalista Alberto Tamer, entre outros… Portanto esse conceito de livro velho é ultrapassado. Mas mesmo em livrarias de novos, com uma boa pesquisa, nós ainda conseguimos boas promoções. Também por outro lado, se pararmos para pensar, muitas vezes gastamos dinheiro com coisas bem menos importantes.

Bom , como já disse, trabalho em uma livraria e já vi muitas mães, reclamarem que as escolas pedem “muitos” livros, ou que seus filhos leem muito e elas não dão conta de comprar, mal posso acreditar quando ouço isso, puxa, não era pra ficar feliz? No mundo digital de hoje, ter filhos que adoram ler é uma benção? Enfim, a dura realidade é que isso ainda não faz parte da nossa cultura.

Mas vamos à leitura, o primeiro livro data de 1436, os livros nessa época eram bem diferentes, a letra era irregular, não tinham padrão e nem paginação. Só após 1500, os livros começam a ser impressos com maior qualidade de escrita, papel, ilustração e etc… Os estudiosos dizem que a leitura foi a chave para a liberdade e a modernidade.

Os dados a seguir são da internet, “Os brasileiros leem em média 4,7 livros por ano sendo que apenas1,3 são livros ausentes do currículo escolar, isso mostra que em geral a leitura é uma atividade obrigatória”, o que é muito triste. Ler desenvolve o intelecto, você entra em contato com mundos e pessoas distintas, conhece lugares, aprende sobre costumes de várias culturas, você se torna uma pessoa amplamente mais preparada para a vida, com maior habilidade de raciocínio, julgamento e compreensão do mundo a sua volta, ler abre a mente, faz você viajar e você nunca mais será o mesmo depois de ler um livro. E sim, você se torna uma pessoa mais inteligente.

Outro dado da internet, “notou-se que, entre cinema, esporte e etc, a única atividade substancialmente relevante para a ascensão foi a leitura. Ou seja, quem desde jovem, dedica algum tempo livre a ler pode se tornar um profissional mais bem sucedido.”

Se você não tem o hábito da leitura, bem, acredito que não estará lendo esse blog, mas se estiver acompanhando, rs, pode começar lendo algum livro que contenha um assunto que lhe agrada, com certeza haverá algum e não importa qual seja o livro, ele sempre terá algo a lhe acrescentar, mesmo que seja um Paulo Coelho… Brincadeirinha…

Dentre os maiores benefícios da leitura e os já citados aqui, estão: conhecimento, diminui o stress, é o melhor exercício para o seu cérebro, você se concentra, fala e escreve melhor, aumenta a capacidade de sua memória e discernimento, além de ser muito prazeroso. Então pessoas, com tantos benefícios, vamos lá, que tal começarmos agora!?

macaco