Garota Exemplar

Esta é a história do casal Nick (Ben Affleck) e Amy Dunne ( Rosamund Pike – indicada ao oscar), baseado no livro de mesmo nome de Gillian Flynn, dirigido por David Fincher, responsável por vários filmes de sucesso como, o quarto do pânico, clube da luta, seven e outros.

A lenda do casal perfeito, que tem o casamento dos sonhos, exemplos de bom caráter e comportamento e que na realidade não é nada disso. No dia em que comemoravam 5 anos de casamento, Nick chega em casa, encontra tudo revirado e Amy está desaparecida, então ele sem entender nada, chama a polícia, e ao mesmo tempo em que tenta entender o que aconteceu e onde está Amy, ele também tem que provar sua inocência, já que se torna o principal suspeito. A história nos é contada entre cenas atuais e flashbacks do que se supõe que tenha acontecido, através da narração do diário de Amy. O que teria acontecido à ela? Afinal, Nick é culpado realmente? Estas são perguntas que nos acompanham o filme todo, dentro de um clima de repleto suspense, assim o autor questiona também a cobertura da imprensa sensacionalista, que faz tudo virar um circo. Mas ao desenrolar da trama, vamos compreendendo que o que teria acontecido à Amy, não é o mais relevante, mas sim o que teria acontecido com o relacionamento deles e no que eles teriam se transformado em virtude disso.

O filme é cheio de reviravoltas e surpreende até a última cena, que para muitos deixa uma grande interrogação, nos fazendo acreditar que no mínimo, haverá um garota exemplar parte 2. Porém, como de costume, quem leu o livro, garante que esta dúvida não existe no livro e tudo termina ali mesmo bem explicadinho. Uma coisa é certa, tanto o filme quanto o livro, valem a pena. Em ambos os casos você estará fazendo uma boa escolha.

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Livro da editora Intrínseca

Por um fio / Dráuzio Varella

Que Dráuzio Varella é um grande médico, todos sabemos, pois bem, para quem não sabe ele é também um bom escritor. Desculpem o trocadilho, não há apenas convicção, temos provas também, taí Carandiru livro e filme que não me deixa mentir, Mas isso é assunto para um outro post.

Por um fio é um livro, que diferentemente do que li algumas vezes, não é um livro interessante somente para estudantes de medicina, pois entendo que o assunto primordial deste livro é a vida e como lidamos com ela. Claro que Dráuzio como bom médico oncologista que é, também fala da relação médico paciente (interessante para os pretendentes a área) mas não só isso, ele também fala de sua carreira, conta sua história, de como escolheu a medicina como profissão e passa muitas informações sobra a aids e o câncer. Tudo isso de uma forma interessante, que não causa tédio como em muitos livros que geralmente abordam esses temas.

O livro é formado por pequenos contos, onde o autor relata algumas experiências marcantes com pacientes, desde momento em que dá a notícia da doença, a reação do paciente, da família que muitas vezes consola e acolhe e outras simplesmente abandona, e a incrível forma na maioria dos casos, de como a pessoa passa a dar um novo sentido à sua vida, é como se a notícia de uma possível morte breve, se transformasse em um renascimento. Sim, nos deparamos com momentos muito tristes, mas não chega ser um livro depressivo, também temos momentos cômicos e muitos outros que nos fazem parar a leitura para pensar. Pensar na nossa vida, nas nossas atitudes, nas coisas que são importantes para nós, as que damos valor e principalmente a maneira como lidamos com as adversidades da vida. Dráuzio tem linguagem simples com poucos termos médicos e acho que é uma leitura válida para todas as áreas.

Uma coisa que me agrada muito nos livros do Dráuzio Varella, é que gosto de pensar nesse lado sensível do médico, que trata o paciente que muitas vezes já está numa situação difícil, com humanidade, com respeito, visando o objetivo principal da profissão e não apenas o lucro em si. Coisa que honestamente na atual realidade já deixei de acreditar.

Editora Companhia das letras

Conta Comigo / Stand By Me

Nenhum outro filme me remete à infância de forma tão nostálgica como esse, “conta comigo”, foi baseado em um conto de Stephen King, chamado ” o outono da Inocência”, texto esse que ainda não tive a sorte de encontrar para ler. Dirigido por Rob Reiner, o filme é de 1986 (antiguinho). Quantas vezes me sentei no sofá de casa para gritar junto com meu irmão “bola de sebo, bola de sebo, bola de sebo” (quem assistiu vai me entender), e desfrutar dessa bela sessão da tarde… Bons tempos, doces lembranças!
A história tem início a partir das lembranças do agora escritor Gordie Lachance (Wil Wheaton), da sua infância e de seus três inseparáveis amigos, Tedd Duchamp (Corey Feldman), Chris Chambers (River Phoenix) e Vern Tessio (Jerry O’ Connell).

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Os quatro se reúnem devido ao desaparecimento de um garoto que eles suspeitam onde possa estar o cadáver, então resolvem partir rumo à essa aventura. Tudo se passa em Castle Rock no Oregon em 1959, época em que os garotos tinham entre 12 e 13 anos. Cada um deles tem suas características pessoais e todos vivem algum contratempo em casa com suas famílias, Gordie por exemplo, vive com os pais que nunca superaram a morte de seu irmão e se comportam como se não tivessem outro filho, Teddy vive constrangido com o seu pai lunático, já Chris que é visto como um delinqüente na cidade, é justamente o mediador de conflitos do grupo.
Durante todo o percurso e o tempo que passam juntos, muitas coisas acontecem e a maneira como eles lidarão com esses acontecimentos, é que marcará suas vidas para sempre. Eles estreitam muito seus laços de amizade, amadurecem e passam pela primeira vez a enxergar as coisas ao redor deles unicamente com seus próprios olhos, eles conversam sobre seus problemas familiares, ficam a vontade como nunca antes, para dizerem uns aos outros como se sentem e como aquilo os afeta. Eles se ajudam e se apoiam num comportamento típico dos verdadeiros amigos e é interessante notar como diferentemente dos tempos atuais, não é preciso grandes gestos ou demonstrações para que cada um compreenda como é recíproco o afeto que os une. A essa altura, é claro que o motivo pelo qual se reuniram, encontrar o cadáver do garoto desaparecido, já ficou para segundo plano, mas um acontecimento em especial fará com que nunca se esqueçam desse encontro. Tudo, ao som de uma das mais belas melodias “Stand By me” (Ben E. King). “Conta Comigo” é bonito, sutil, muitas vezes engraçado e com certeza vai te fazer voltar no tempo e sentir saudades das suas aventuras com seus amigos de infância, mesmo que no meu caso, você cresça e perceba que tinha um ou outro que não eram tão amigos como você pensava, mas os que valem a pena, ahh esses sim, ficam para sempre.

http://vacanerd.com.br/37-fatos-e-curiosidades-sobre-o-filme-conta-comigo/

Se houver amanhã / Sidney Sheldon

De todos os livros do Sidney Sheldon que eu já li e eu li vários, considero esse o melhor ” Se houver amanhã”, a história de Tracy Whitney é envolvente, daquelas que temos dificuldade de parar a leitura. Embora, eu tenha deixado de ler Sidney Sheldon, pois depois de alguns livros, eu sempre adivinhava como ia terminar, estou curiosa para ler a continuação, “Em busca de um novo amanhã”, que foi lançado em novembro do ano passado. E me parece que ainda tem alguns livros dele para serem lançados, quando ele morreu, deixou alguns livros escritos pela metade e colocou em testamento que queria que a Tilly Bagshawe os terminasse, mas a família quer que outro escritor continue as histórias, então a situação dos livros está meio conturbada. (Coisas de família).

       Mas, voltando,Tracy Whitney é uma mulher bonita, inteligente, articulada e cativante como toda heroína de Sidney Sheldon. Ela tem uma vida bem estruturada e um relacionamento seguro, mas vê sua vida virar de cabeça para baixo, quando vítima de uma armação, ela é condenada e presa por um crime que não cometeu. Tracy estava grávida e noiva, mas perde o bebê, e o noivo à abandona, e ainda tem que lidar com a morte da mãe, também relacionada com a armação. Presa durante 15 anos e muito revoltada, passa por todos os horrores da cadeia, e quando tem a liberdade, a única coisa na qual ela consegue pensar é em vingança e para isso ela não mede esforços para atingir seus objetivos, e por outro lado, tenta seguir com a vida, mas o mundo não é nada gentil com um ex presidiário.

     Bom, é justamente dessa parte em diante, que a história fica mais interessante, cheia de tramas, golpes e surpresas. Também conhecemos o inescrupuloso Jeff, com quem Tracy compete de uma forma particular. As armações dela são tão ousadas, que muitas vezes duvidamos que aquilo possa dar certo ao mesmo tempo em que torcemos para essa heroína às avessas escapar de mais uma, já que agora ela se transformou em uma grande golpista e ainda tem que ter cuidado com um detetive particular que está na sua cola, louco para capturá-la. Se ela terá sucesso ou não na sua vingança, vou deixar que vocês descubram sozinhos.

     Como podem ver ação é o que não falta nesse livro, a leitura é fácil e rápida, já que não percebemos o tempo passar, e se gostarem e quiserem saber o que aconteceu na vida de Tracy muitos anos depois, leiam ” Em busca de um novo amanhã”. É o que eu irei fazer em breve!

Ambos da editora Record

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Quase famosos

Um dos melhores filmes que vi na vida!!!

Quase famosos antes de mais nada é um filme sobre o rock dos anos 70, mas vai além, não é apenas a música em si, mas o que ela representa na nossa vida, os bastidores por trás das bandas de rock, a relação fã e ídolo, tudo isso sob o olhar de um garoto de 15 anos, mas não se engane, não se trata apenas de um adolescente comum, ele é Cameron Crowe.

Isso mesmo, o filme é baseado na história e nas experiências de Cameron Crowe (ex editor da revista Rolling Stones e atual diretor de cinema).

   William (Patrick Fugit) é um garoto de 11 anos precoce e muito esperto, mora com sua mãe e a irmã mais velha Anita (Zooey Deschanel), a história se passa no início dos anos 70. Anita desanimada com a educação repressora que a mãe impõe à eles, resolve ir embora e deixa de presente para seu irmão uma mala cheia de discos debaixo da cama e ele acaba se apaixonando quando ouve os Lps, bandas como Led Zeppelin, Black sabbath, The Who, Beatles entre outras. Passado um tempo, William ainda bem jovem com 15 anos, escreve informalmente notas sobre música e bandas para a revista Cream, até que conhece o crítico musical Lester Bangs (Philip Seymour Hoffman), ele gosta do garoto e vendo todo o seu talento e entusiasmo, passa a dar dicas e conselhos de como trabalhar nesse meio, logo designa a William a missão de entrevistar o Black Sabbath. No show ele conhece várias groupies e entre elas Penny Lane ( Kate Hudson) por quem se apaixona e se torna grande amigo, ela o leva para conhecer os bastidores dos shows de rock. Nesse dia, ele também conhece e fica amigo dos músicos da banda Stillwater, uma banda em ascensão, cujo guitarrista tem um relacionamento com Penny Lane. Mais tarde William recebe uma ligação do editor da revista Rolling Stones, que desconhecendo a idade do garoto, lhe oferece um ótimo cachê para ele acompanhar uma banda em turnê e escrever uma matéria.

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Sem titubear, ele pensa na Stillwater, e mesmo contrariando a vontade de sua mãe, segue viagem coma banda e Penny Lane, durante esse período, eles se tornam praticamente uma família e William fica por dentro de todo esse processo de fama e anonimato, das festas regadas a drogas, da relação dos artistas com a imprensa e fãs, a “desconstrução do ídolo”, tudo. Ele adquire uma enorme bagagem não só para sua matéria, mas para a sua vida, e no meio de tanto aprendizado, ele ainda vive um dilema, se conta a verdade nua e crua na revista ou se deve permanecer leal aos seus amigos da banda. Quase famosos é um filme intenso, muitas vezes engraçado e emocionante. Sem dúvidas um momento que todo fã de rock gostaria de vivenciar, aliás isso acontece, vivenciamos tudo isso durante o filme como se fôssemos transportados para a década de 70.

Quanto a trilha sonora, claro, nem preciso dizer como é boa, só clássicos do rock, Led Zeppelin, Deep Purple, Lynyrd Skynyrd, Iggy Pop e etc…

 É uma pena que esse filme não tenha feito no cinema o sucesso que merecia, a história é contada com uma sutileza encantadora, merecia muito. Mas não vamos nos deter à esse detalhe, temos aqui um belo filme para ser admirado e ainda com duas versões, sendo uma delas estendida com 40 minutos a mais.

   Só de falar, ou melhor escrever, fiquei com vontade de assistir novamente.

   Até mais!