A sangue frio – Truman Capote

Muito indicado em cursos de jornalismo, A sangue frio de Truman Capote é um marco do jornalismo literário e se tornou uma referência pela minuciosa investigação que Capote faz do assassinato da família Clutter no Kansas – Estados Unidos e seus assassinos Perry Smith e Dick Hikcock que planejavam assaltar e enriquecer com a fortuna da família e terminam desiludidos e reconhecendo que foram movidos apenas pela ganância. Capote descreve detalhadamente todo o caso, a vida da família Clutter e até a vida dos assassinos desde a infância, ele reconstrói o assassinato, como tudo foi planejado e executado, ganhou a confiança de Perry e Dick que lhe contam passo a passo como tudo ocorreu. Dizem até que Capote teria se apaixonado por Perry Smith, mas não sei se realmente teria se apaixonado ou se sua sensibilidade é tão grande a ponto de enxergar um ser humano por trás do assassino o que para a maioria das pessoas comuns seria impossível. Mas não é só isso que faz de A sangue frio um grande sucesso, são as questões sociais, o sistema judiciário e o ideal americano colocados sutilmente em pauta, que nos fazem pensar e rever opiniões como a pena de morte por exemplo, que confesso ter mudado meu ponto de vista depois desse livro. Uma boa leitura, enriquecedora! Continuar lendo

Já escondi um amor com medo de perdê-lo

Sempre vejo esse texto na internet com autoria de Clarice Lispector, muitos dizem não ser,  pois Clarice não escreveu poemas, porém acho que tem muita beleza aqui e decidi compartilhá-lo mesmo sem ter certeza do autor…

 

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.

Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.

Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.

Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.

Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.

Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.

Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.

Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.

Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.

Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.

Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.

Já tive crises de riso quando não podia.

Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.

Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.

Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.

Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.

Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.

Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.

Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.

Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.

Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.

Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.

Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.

Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.

Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram…  Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.

Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.

Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!

Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!

Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.

Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!

Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.

Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

– E daí? EU ADORO VOAR!

Tomates verdes fritos

Muitas pessoas não assistiram esse filme por acharem que o nome lembrava mais um  daqueles “besteirois americanos”.
Ledo engano, Tomates verdes fritos é uma história sobre amizade entre duas jovens Idge e Ruth e de como essa história muda a vida de Evelyn uma dona de casa reprimida, que geralmente afoga suas mágoas comendo doces.
Idge e Ruth tem um café e fazem uma iguaria de grande sucesso na região: tomates verdes fritos, daí o nome do filme. Mas o tema central é mesmo a amizade e de como esse sentimento puro e desinteressado pode fazer bem às nossas vidas e até salvá-las.
Emocionante, o filme tem grandes surpresas e um final também surpreendente, vale muito a pena.

Lembrei agora de algo que ouvi certa vez e casa bem aqui.

“Os amigos é a forma que Deus encontrou de se desculpar pela família da gente”.

Infelizmente não encontrei nenhum trailer dublado ou legendado…

 

O castelo de vidro

Confesso que tenho uma queda por histórias verídicas ou baseadas em fatos reais, gosto de ler um livro ou assistir um filme que tenha uma história fantástica e parar para pensar: Puxa, isso aconteceu mesmo!!!
Em o castelo de vidro que eu considero um romance autobiográfico, a jornalista Jeannette Walls relata com certo humor a história dela e de sua família nada convencional, desde que era criança e procurava restos de comida no lixo da escola para comer, seus irmãos, seus pais negligentes que não trabalhavam por opção e deixavam os filhos passarem fome e de como tudo isso não a impediu de se tornar uma jornalista famosa sem nunca ter se vitimado. Em alguns momentos é tão singelo e humano que nos faz lembrar de fatos corriqueiros de nossas próprias vidas, mas que talvez não tivéssemos coragem de contar a ninguém. A princípio, Castelo de vidro parece uma história triste, mas não. É apenas uma história verdadeira contada com toda sinceridade por uma pessoa que nunca se rendeu às circunstâncias e nem incrivelmente guardou mágoas.

Tem um outro livro também que se chama “cavalos partidos” em que Jeannette Walls conta a história de sua avó que também parece ser surpreendente.. Esse ainda vou ler.

Editado por Editora Nova Fronteira

Foi apenas um sonho…

Adorooo esse filme, já assisti várias vezes… Sei que muitas pessoas torcem o nariz para esse casal, Leonardo Di Caprio e Kate Winslet que ficou marcado pelo filme Titanic. Bobagem, ambos fazem grandes atuações nesse filme, muitos até discordam com o oscar que Kate Winslet ganhou com o filme “o leitor”, por acharem que ela deveria ter levado a premiação por esse filme. Baseado na obra de Richard Yates “foi apenas um sonho” conta a história de um casal jovem e apaixonado que decide deixar tudo de lado para perseguir seus sonhos. O filme não tem nenhum grande acontecimento, mas é extremamente envolvente, os diálogos são incríveis e se me permitem um pequeno plágio, como eu li certa vez numa crítica desse filme na internet, o ponto alto da história são as verdades que são jogadas o tempo todo na cara do telespectador. É bem isso!

Muitas vezes por comodismo, covardia e uma posição confortável, deixamos nossos sonhos de lado para seguir com a vida, mas até que ponto seremos felizes de fato assim?

A felicidade desesperadamente

Para quem curte filosofia, aqui o filósofo e escritor André Comte Sponville discute o porque de vivermos desesperadamente atrás da tal felicidade. Segundo a ideia que nos é proposta no livro e com a qual eu concordo totalmente, sempre desejamos aquilo que não temos. Ele diz que a felicidade é a morte do desejo, sim, porque quando deixamos de desejar é porque conseguimos o objeto do nosso desejo, porém essa felicidade é ilusória, pois imediatamente passamos a desejar uma outra coisa e isso torna-se um círculo vicioso, de maneira que nunca estaremos totalmente satisfeitos. Então ele conclui que a verdadeira felicidade está em aprendermos a desejar aquilo que temos  nesse momento.

É claro que aqui só estou dando uma prévia, ele se aprofunda bem mais no tema. O livro tem uma linguagem simples e fácil, o que o torna extremamente interessante sem ser chato e cansativo.

“Pascal explica que jamais vivemos para o presente: vivemos um pouco para o passado, explica ele, e principalmente muito, muito para o futuro. Assim, nunca vivemos, esperamos viver; e dispondo-nos sempre a ser felizes, é inevitável que nunca o sejamos.”

Sem dúvida um livro que fez muita diferença na minha vida!

Há pouco tempo este livro estava esgotado nas livrarias de São Paulo, mas de qualquer maneira é possível encontrá-lo em sebos..

Livro da Martins Fontes, edição de bolso… Adoro livros de bolso!